A interação homem-alimento: Mindful Eating, o prazer da refeição em 3 lições

Comer é uma das maiores dádivas da Terra! Muito embora esta frase continue vívida ao longo do desenvolvimento da humanidade parece que nós esquecemos o quão relevante é se nutrir de forma adequada, prazerosa e saudável!

Partindo dessa premissa, eu há algum tempo me debrucei nos estudos do Mindfulness, a meditação da Atenção Plena, onde enfocamos o momento presente, visando vivenciar o agora de forma mais plena. Além de ser um praticante, passei a aplicar a técnica nos meus atendimentos tanto na parte clínica dentro da Fisioterapia, como em clientes no treinamento personalizado dentro da Educação Física com resultados consistentes, principalmente nas populações especiais (idosos, obesos e diabéticos).

Depois de algum tempo e sempre ecoando o meu mantra de “melhorar a qualidade do serviço prestado”, pude perceber a (grandiosa) dificuldade dos clientes em desfrutar do momento da refeição e assim me dediquei a compreender uma das técnicas derivadas do Mindfulness, isto é, o Mindful Eating que visa promover a estimulação sensorial na alimentação, melhorando a experiência da refeição, sendo uma prática contextualizada especificamente na nutrição. Em termos práticos e no português claro, é trazer o cérebro mais próximo da comida e vice-versa!

Dessa maneira, comecei a colher ótimos relatos de clientes sobre voltar a sentir o sabor dos alimentos, idosos com disgeusia (alterações de palatabilidade oriunda por efeitos colaterais de medicamentos) confirmando uma salivação maior a cada mastigação, clientes com sobrepeso/obesidade reiterando o aumento de saciedade com menor quantidade de comida no prato, e, de todos os eles, sobretudo, experimentando uma relação mais harmônica com o momento da refeição em si.

Baseado nesse contexto, deixo aqui 3 lições deste fascinante Mindful Eating pra você:

  1. Esqueça o “se alimentar” e pense em “se nutrir”!
    Dentro da retórica desta técnica precisamos arraigar para dentro de cada um de nós que não estamos apenas mandando um alimento pra dentro e enchendo o pandulho. O argumento-central é desfrutar da refeição visando absorver o máximo possível dos nutrientes, trazendo a maior plenitude de energia possível pra si (afinal de contas, não fazemos fotossíntese, não é mesmo!?)
  2. Contas, trânsito, barulho… não pira e aproveita a comida (sob qualquer circunstância)
    Parece que comer bem se tornou um artigo de luxo! Incrivelmente, somos pressionados a comer o mais rápido possível, pois a visão da sociedade é que necessitamos empregar o tempo da refeição com coisas mais proveitosas! Aqui é um misto de resiliência + resistência = não abdique dos seus 15 a 20 minutos de refeição (seja ela qual for)! E saboreie cada garfada, colherada ou mordida como se fosse a última.
  3. Respira profundamente antes da refeição
    Esse é um momento único, como falei no início do texto, consiste em uma das maiores dádivas da existência humana. Então, aproveite! Prepare-se! Faça 1 a 2 minutos de respiração diafragmática (encher o abdômen na inspiração) visando se concentrar para desfrutar do alimento que está a sua frente!
    Eu sempre provoco meus clientes nos atendimentos e profissionais de saúde quando ministro treinamentos de Mindful Eating e hoje vou deixar essa pergunta para que você reflita: o prato pode estar cheio de energia, altamente nutritivo, mas o que adianta se a sua mente não está apta para receber isso?

E se você quer melhorar sua relação com a alimentação, não apenas para sua vida, mas para as pessoas que você gosta, ou, se você é profissional da saúde e quer aplicar os conhecimentos sensacionais desta técnica diretamente na sua prática clínica e nos seus atendimentos seja com clientes idosos, obesos, crianças, anoréxicos…deixo aqui o convite para você fazer o curso de Mindful Eating no Rio de Janeiro comigo!

Abraços fraternais,
Prof. Marcelo Anselmo.